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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Marina só vai anunciar apoio se Aécio aceitar propostas, diz vice na chapa

Filipe Matoso e Priscilla Mendes Do G1, em Brasília
 O candidato a vice na chapa de Marina Silva à Presidência de República, Beto Albuquerque

(PSB-RS), afirmou nesta quinta-feira (9) que a ex-senadora anunciará apoio ao candidato do PSDB, Aécio Neves, se o tucano concordar em incorporar propostas ao seu programa de governo.

Albuquerque participa, em Brasília, de uma reunião com representantes das legendas que formaram a coligação de Marina na eleição deste ano. O encontro vai discutir o apoio de cada partido no segundo turno. PSB e o PPS já formalizaram que vão ficar ao lado de Aécio. Nesta quarta (8), o grupo político de Marina, a Rede Sustentabilidade, recomendou aos seus militantes voto branco, nulo ou em Aécio no segundo turno.

   
 
“A Marina quer se pronunciar a partir do momento em que a coligação do Aécio disser concordar ou não com os acordos programáticos que nós vamos oferecer a ele. A partir daí ela poderá se pronunciar junto à Rede. E os demais partidos, nós vamos conversar hoje para saber o tempo de cada partido e seus propósitos nesta negociação”, disse Albuquerque.

“Ela só poderá e só se manifestará, segundo ela acabou de me informar, mediante o posicionamento do Aécio sobre os pontos de programa que nós vamos sugerir a ele. Aí ela vai se pronunciar”, completou.

O porta-voz da ex-senadora, Walter Feldman, afirmou que Marina não compareceu à reunião em Brasília para “não tirar protagonismo de partidos”
Segundo Feldman, não é possível antecipar qual será a decisão de Marina sobre o apoio no segundo turno, e que a ex-senadora quer, primeiramente, saber qual será o posicionamento dos partidos que compuseram sua coligação no primeiro turno.

“Não vamos antecipar a decisão, porque eu não sei qual vai ser o depoimento dela. O que eu consigo agora é sintetizar o posicionamento da Rede. Só lembrando que a Marina é candidata da coligação. É claro que ela vai levar em conta a posição da Rede, mas ela quer receber o posicionamento dos outros partidos”, disse.

Posicionamento 'fora do muro'
Segundo Feldman, o posicionamento da Rede de apoiar o voto em branco, nulo ou em Aécio mostra que o grupo político de Marina tem posicionamento “fora do muro”.

“A Rede tem um consenso absoluto, manifesto, de dizer não ao governo atual e ser a favor das mudanças que o Brasil deseja realizar. Mas interpreta  que tem setores que desejam mudanças não através do voto direto em um dos candidatos que hoje simbolizam a polarização. É uma manifestação fora do muro, manifesta, expressiva, ao lado da mudança que o Brasil precisa”, disse.

Programa de Aécio
O candidato do PSDB já chegou a afirmar ter “convergência” com o programa de Marina Silva. Segundo Beto Albuquerque, as propostas que devem ser apresentadas a Aécio Neves passam por pontos específicos como reforma politica.

Segundo Albuquerque, pode ser que o PSB apresente ainda nesta quinta as propostas ao candidato tucano. Na avaliação do candidato a vice na chapa de Marina, o partido não quer “reescrever” o plano de Aécio.

“Se a gente conseguir chegar a uma convergência nessa reunião [em Brasília], apresentaremos ainda hoje [as propostas] à coordenação de programa de governo do Aécio, para que ele possa se pronunciar diante das propostas que nós vamos fazer. [...] A nossa ideia não é reescrever o programa do Aécio, nós vamos incorporar algumas ideias do nosso programa, pois a candidatura do Aécio foi quem passou para o segundo turno”, completou.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Para Renata, dia seguinte ao enterro de Campos seria de festa

O dia seguinte ao enterro de Eduardo Campos seria de festa para Renata, que completa, nesta segunda-feira (18), 47 anos – os dois foram um casal durante mais de 34 destes.

“Ele foi o primeiro namorado dela e ela, a primeira namorada dele”, conta ao iG Marcos Arraes, tio de Campos e padrinho do casamento dos dois.

Filha do médico Cyro de Andrade Lima e de Rejane de Andrade Lima, Renata estudou economia e entrou, via concurso, para o Tribunal de Contas de Pernambuco. Quando Campos assumiu o governo, em 2007, afastou-se do cargo, e aproveitou a condição de de primeira-dama – inclusive os holofotes que o guarda-roupa do cargo ganham – para promover a cultura local.

Normalmente vista trajando acessórios regionais, Renata teve papel ativo na formulação do Programa Artesanato de Pernambuco (Pape) e na criação da Fenearte, considerada a maior feira de artesanato da América Latina pelo governo do Estado.

Vocacionada à maternidade

Renata acompanhou o marido sempre que pôde: esteve presente em praticamente todos os eventos públicos do qual Campos participou enquanto governador e candidato. Nunca, porém, desgrudou-se dos filhos. Se nesta eleição ela aparece com Miguel, nascido em janeiro, na campanha de 2006 ela seguia o marido pelo interior de Pernambuco amamentando José, que deu à luz dois anos antes.

“Nunca você vai ver uma foto dela com o caçula e uma babá junto. Ela nunca teve babá. Sempre cuidou ela mesma das crianças, sempre”, diz Arraes, o padrinho do casal.”É ela que vai trocar fralda, dar banho.”

Interlocutores que viajaram com o casal nos últimos meses dizem que a primeira impressão que se tem de Renata é de uma mulher vocacionada para a maternidade. Sempre em contato com os quatro filhos mais velhos, não desgruda do mais novo, Miguel, portador de síndrome de Down.

Miguelzinho, como é tratado por Renata, parece uma extensão de seu corpo. Na viagem de segunda-feira (11) para o Rio de Janeiro – a última que fez com o marido –, ela dizia que o bebê era mesmo como parte de si. Em uma conversa descontraída com Campos, Marina e alguns membros da campanha, ela foi categórica ao dizer que nasceu para ser mãe e que lhe dava uma certa tristeza saber que Miguelzinho seria seu último filho.

Renata também não descuidou de Campos, que começou a namorar aos 13 anos – ele tinha 15. Considerada o porto seguro do ex-governador, sabia dividir os conselhos políticos com o papel de esposa. Jamais misturava as coisas. Campos também era dedicado. Há poucos dias, abandonou uma reunião de campanha quando soube que Renata passara mal em razão de uma crise de pressão alta.
Presente na primeira gravação do programa eleitoral, na mansão de Campos, um interlocutor se recorda da maratona que foi aquele dia. A equipe chegou às 9h para iniciar as gravações, que se estenderam até as 23h. Sob a coordenação de Renata, a cozinha serviu café, almoço, lanche da tarde, janta e ceia.

Com Miguelzinho no colo, ela se revezava entre as orientações aos empregados e os detalhes da gravação. Amamentava ali mesmo, durante algumas reuniões. Muito atenta a tudo, preferia dar conselhos ao marido reservadamente. Jamais se aproveitava do fato de ser a mulher do candidato para expressar suas opiniões sobre os rumos da gravação ou da campanha.

Próxima de Marina, mas distante de cargo político

Extremamente politizada, Renata entende os meandros da política, e todos sabiam de sua influência sobre as ideias do marido. Mesmo assim, não é vista como administradora pública e nunca esboçou esse desejo, o que enfraquece a tese de que seria uma opção para a vaga de vice de Marina.

“Ela é mãe de um bebê de seis meses agora. Mãe e pai, agora”, diz um integrante da campanha do PSB à Presidência, sob condição de anonimato.

Após dez meses de convivência, Renata acabou se tornando amiga pessoal da ex-senadora e principal defensora de sua candidatura. Partiu dela a recomendação para que o irmão de Campos, Antônio Campos, defendesse publicamente que Marina tomasse o lugar do irmão na cabeça de chapa.

Interlocutores ligados à vice negam que ela tenha indicado Renata para ocupar seu lugar, mas faz questão de que ela tome parte na campanha, subindo em palanques em nome do marido e arregimentando aliados no PSB.

Renata também é religiosa. Foi a responsável por decorar o casarão da família, que ocupa meio quarteirão no bairro nobre de Dois Irmãos, nos fundos da casa do pai. As imagens sacras estão por toda a parte, principalmente na sala de estar e acessos a outros cômodos.

Segundo amigos da família, Campos aprendeu a ler a Bíblia recentemente por influência do filho João Henrique Campos, considerado seu sucessor político. O garoto, de 20 anos, passou a frequentar um templo da Assembleia de Deus no centro de Recife, e teria levado o pai a pelo menos três cultos.

Aos sábados, Renata costuma levar os filhos para passear no Shopping Plaza Casa Forte, centro de compras da elite local. Sempre a bordo de um Hilux prateado, a família estacionava entre dois carros pretos, repletos de seguranças. Nessas ocasiões, o filho chamava mais a atenção. Havia sempre alguém para gritar “olha o filho do governador”.

Por lei, ainda não se sabe se Renata retomará o cargo de auditora do Tribunal de Contas de Pernambuco, do qual se afastou para ser primeira-dama de Pernambuco e, potencialmente, do Brasil. As férias, que ela emendou na licença-maternidade em razão do nascimento de Miguel, terminam neste mês.

Fonte: Jornal Pequeno

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Irmão de Campos defende Marina como candidata à Presidência


Irmão de Campos defende Marina como candidata à Presidência (© Reuters)
RECIFE - Único irmão do ex-governador Eduardo Campos, o advogado Antonio Campos defende que a candidata a vice, Marina Silva, assuma a candidatura à Presidência pelo PSB no lugar do ex-governador, morto nessa quarta-feira em um acidente aéreo em Santos. "Vou defender publicamente e dentro do partido esta posição", afirmou ele, em entrevista por telefone, ao Estado, na manhã desta quinta-feira, 14.

Por Angela Lacerda, estadao.com.br

terça-feira, 22 de julho de 2014

Campos promete universalizar o ensino integral nas escolas públicas


Campos, ao lado de Marina Silva, participou de lançamento do comitê central da campanha, em São Paulo (Foto: Amanda Previdelli/G1)Campos, ao lado de Marina Silva, participou de lançamento do comitê central da campanha, em São Paulo (Foto: Amanda Previdelli/G1)
 
O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, afirmou nesta segunda-feira (21) que, se for eleito, pretende antecipar o cumprimento da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que trata sobre ensino integral nas escolas brasileiras. Em discurso no evento de inauguração de seu comitê central de campanha, em São Paulo, o presidenciável disse que garantirá a universalização do ensino integral nas escolas públicas do país em quatro anos.

Uma das metas do PNE prevê que o Estado implante a educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas nos próximos 10 anos, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica. O plano nacional foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela presidente Dilma Rousseff em junho deste ano.
 
"Temos que ter a coragem, a determinação, de antecipar a agenda do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação para fazer a escola integral em quatro anos. Eu fiz no estado pobre do Nordeste brasileiro e vou fazer no Brasil a escola integral ser um direito dos estudantes brasileiros”, disse o candidato do PSB, referindo-se ao período em que governou o estado de Pernambuco.

Ao final do evento, Campos foi questionado por jornalistas sobre se ele pretende assegurar a universalização do ensino integral nas escolas públicas, caso venha a ser eleito em outubro. Ele, então, confirmou que sua proposta é de garantir a educação em tempo integral para todos os alunos do país.

Terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, o ex-governador de Pernambuco reuniu no evento de inauguração de seu comitê central de campanha alguns dos principais nomes de seu partido e também aliados de outras legendas, como o presidente do PPS, deputado Roberto Freire.

A candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, Marina Silva, também estava presente. Ao final do evento, ela disse que a campanha deve aprofundar "a aliança com a sociedade brasileira".  Para Marina, a descrença da população com a política exige que políticos trabalhem junto com a sociedade. Ela citou ações nas redes sociais como forma de mobilizar eleitores.

Investimentos em saúde
Em meio ao discurso, Eduardo Campos disse que falta ao governo atual "decisão política e capacidade de dialogar" para garantir o repasse de 10% da receita corrente bruta da União para o setor de saúde. A proposta é defendida pelo Movimento Nacional em Defesa da Saúde Pública, também conhecido como “Saúde + 10”, que tenta coletar assinaturas suficiente para protocolar um projeto de lei de iniciativa popular.

“Falta decisão política, capacidade de dialogar. De mostrar onde estão os recursos. É preciso dizer que os R$ 38,7 bilhões a mais que representam o ‘Saúde + 10’ no orçamento da saúde pública, os estados e municípios foram buscar. Digo isso porque governei sete anos e três meses um estado que tinha 9% da sua receita em saúde [...] O estado teve em um ano até 17% da receita em investimento na saúde. E, na média, 15%”, declarou o candidato do PSB.

Campos criticou o fato de, segundo ele, o governo federal dar subsídios, por exemplo, para o setor elétrico e não investir o suficiente em saúde e educação. Para ele, quando foi necessário dinheiro para o sistema financeiro ou o setor elétrico “apareceram bilhões”.

"Vamos priorizar a educação e vamos priorizar o saúde + 10, sim. Quando se falam em coisas que tocam o dia a dia do povo, não tem dinheiro. Lá no passado, precisou sanear o sistema financeiros, apareceram bilhões. [...] Agora, falou em botar R$ 39 bilhões na saúde pública e R$ 12 bilhões para passe livre, aí não pode", enfatizou.

Inflação
Campos disse ainda que pretende controlar a inflação por meio de “sintonia entre política monetária e política fiscal”. Ele disse que, se eleito, terá compromisso com a independência do Banco Central e com o centro da meta da inflação em 4,5%.

"O primeiro anúncio que nós fizemos foi exatamente o compromisso com a meta da inflação de 4,5% e nós colocamos que para isso iríamos fazer a sintonia entre a política monetária e a política fiscal.

Seria a independência do Banco Central de um lado e o acompanhamento da questão fiscal brasileira para que tivesse transparência e clareza com os gastos.  Essa política vai nos levar em quatro anos a um pais com inflação controlada e uma taxa de juros real que não pode ser a maior do mundo", concluiu.

Dunga
Ao longo da solenidade de inauguração do comitê, aliados de Eduardo Campos e Marina Silva destacaram a importância do "novo" no cenário político nacional. , que seria a chapa nem PT e nem PSDB, mas PSB-Rede dos candidatos.

Líder do PHS na Câmara de São Paulo, o vereador Laércio Benko comparou o eventual retorno do PSDB à Presidência da República à provável volta de Dunga ao comando da Seleção brasileira.
"Não podemos encontrar a solução no passado como fez a CBF [Confederação Brasileira de Futebol].

Vocês viram? Não podemos cometer o mesmo erro político que acaba de cometer a CBF escolhendo o Dunga para técnico. Não vamos olhar para o passado", declarou Benko. "Eduardo e Marina são o futuro", completou.

Amanda Previdelli do G1 SP